Como Calcular Quanto Cobrar pelo Seu Serviço: Hora Técnica para MEI e Autônomo
Última revisão: outubro de 2026.
Em resumo
- Preço não é o que "o mercado paga" nem o que você acha justo: é o que cobre a sua renda desejada, os custos, os impostos e uma margem.
- Você não vende todas as horas do mês: parte do tempo vai em reuniões, propostas e cobranças. A conta precisa considerar isso.
- No exemplo, quem quer R$ 4.000 por mês e tem R$ 880 de custos e imposto precisa cobrar cerca de R$ 55 por hora trabalhada para clientes.
- Depois de calcular, compare com o mercado e ajuste, sem baixar abaixo do seu mínimo.
Uma das perguntas mais difíceis de quem trabalha por conta própria é "quanto eu cobro?". A maioria chuta, copia o preço do concorrente ou cobra o que o cliente sugere. O resultado é trabalhar muito e ganhar pouco, sem entender por quê. A boa notícia é que existe uma conta simples, que transforma o preço em uma decisão. Este guia ensina a calcular a sua hora técnica e o preço de um projeto, e é útil para MEI, freelancers e autônomos em geral.
Passo 1: defina quanto você precisa ganhar por mês
Comece pela vida pessoal. Some as despesas do mês e a parcela que quer guardar: moradia, alimentação, contas, saúde, lazer, reserva e metas. É o seu "salário" desejado. Veja como fazer um orçamento pessoal para chegar a esse número. No exemplo: R$ 4.000 por mês.
Lembre dos direitos que um empregado teria e que, sozinho, você precisa bancar: 13º, férias, descanso, previdência. Uma forma de considerar é incluir uma reserva mensal para isso. Veja planejamento financeiro para renda variável.
Passo 2: some os custos e impostos do negócio
Liste o que o negócio gasta por mês, mesmo que seja pouco:
- Internet, celular, energia do espaço de trabalho.
- Ferramentas, softwares, assinaturas e materiais.
- Equipamentos (some o custo e divida pela vida útil em meses).
- Marketing e anúncios.
- Impostos: o DAS do MEI ou outros tributos do seu regime. Veja MEI: o que é e as obrigações.
- Contador, taxas bancárias e de plataformas.
No exemplo: custos de R$ 800 e DAS de R$ 80 por mês. Total do negócio: R$ 880.
Passo 3: calcule o que precisa faturar
Faturamento necessário = renda desejada + custos + impostos
R$ 4.000 + R$ 800 + R$ 80 = R$ 4.880 por mês. Esse é o mínimo para que o negócio pague você e se mantenha.
Passo 4: descubra quantas horas você realmente vende
Esse é o passo que a maioria esquece. Ninguém vende 8 horas por dia, 22 dias por mês. Parte do tempo vai em atender, orçar, responder mensagens, estudar, cobrar, organizar o financeiro e procurar clientes. Veja a conta:
- Horas de trabalho no mês: 8 horas × 22 dias = 176 horas.
- Horas realmente vendáveis (que você cobra de clientes): em torno de 60%, ou cerca de 106 horas.
O percentual varia por atividade. Quem presta serviço sob demanda costuma ter menos horas cobráveis. Faça a sua estimativa honesta, olhando a sua rotina por algumas semanas.
Passo 5: calcule a hora técnica
Hora técnica = faturamento necessário ÷ horas vendáveis
R$ 4.880 ÷ 106 = R$ 46,21 por hora. É o valor mínimo para fechar a conta, sem margem.
Acrescente uma margem
Uma margem de 15% a 25% cobre imprevistos (cliente que atrasa ou some, projetos que tomam mais tempo, meses fracos) e permite crescer: R$ 46,21 × 1,20 = cerca de R$ 55 por hora.
| Item | Valor |
|---|---|
| Renda desejada | R$ 4.000 |
| Custos e DAS | R$ 880 |
| Faturamento necessário | R$ 4.880 |
| Horas vendáveis no mês | 106 |
| Hora técnica (sem margem) | R$ 46,21 |
| Hora com margem de 20% | R$ 55,45 (arredondando, R$ 55) |
Passo 6: transforme a hora em preço de projeto
Cobrar por hora funciona para muitos serviços, mas clientes costumam preferir um preço fechado. Para calcular:
- Estime as horas do projeto, incluindo reuniões, revisões e imprevistos (some uma folga de 20% a 30%).
- Multiplique pela hora técnica.
- Some custos diretos do projeto (materiais, deslocamento, taxas).
Exemplo: projeto que você estima em 16 horas, mais 20% de folga = 19,2 horas. 19,2 × R$ 55 = R$ 1.056. Se há R$ 150 de custos diretos, o preço final é de cerca de R$ 1.200. Se o projeto dá menos trabalho, você ganha mais por hora. Se der mais, a folga protege.
E se o mercado paga menos?
Compare o seu número com os preços praticados, mas use como referência, não como regra. Se o mercado paga bem menos que a sua hora técnica, você tem três caminhos:
- Reduzir custos ou a renda desejada, com consciência dos limites.
- Aumentar as horas vendáveis (automatizar tarefas, reduzir reuniões, melhorar propostas).
- Aumentar o valor percebido: especialização, portfólio, atendimento melhor, nichos que pagam mais.
E há um quarto caminho, às vezes necessário: não aceitar projetos que não cobrem o seu custo. Trabalhar abaixo do mínimo gera um prejuízo que só aparece depois.
Cuidado com os limites do MEI
Para o MEI, o faturamento anual é limitado. No exemplo, faturar R$ 4.880 por mês dá cerca de R$ 58.560 por ano, dentro do limite de referência. Se a sua hora e a sua demanda levam o faturamento perto do teto, planeje o crescimento e, quando necessário, a migração de regime. Veja limites e obrigações do MEI.
Como reajustar os preços
- Revise a conta a cada 6 a 12 meses: custo de vida, impostos e demanda mudam.
- Reajuste pela inflação no mínimo. Veja como o IPCA corrói o dinheiro.
- Avise com antecedência os clientes recorrentes.
- Dê um desconto pontual apenas com contrapartida (volume, pagamento adiantado), não por insegurança.
Erros comuns de precificação
- Copiar o preço do concorrente sem saber os custos dele.
- Esquecer os impostos e os custos do negócio.
- Contar 8 horas por dia como horas cobráveis.
- Não incluir férias, 13º e reserva.
- Cobrar menos para "ganhar o cliente" e nunca conseguir reajustar.
- Misturar o dinheiro do negócio com o pessoal, o que esconde o prejuízo. Veja como separar as finanças.
- Não revisar: manter o mesmo preço por anos.
Perguntas frequentes
Devo mostrar a hora técnica ao cliente?
Nem sempre. Para a maioria dos clientes, um preço fechado por projeto ou pacote é mais claro. A hora técnica é uma ferramenta interna para você definir o preço.
Quanto de margem é razoável?
Entre 15% e 25% é comum. Em atividades com mais risco ou renda muito irregular, pode ser maior.
E se eu não tiver clientes suficientes para vender 106 horas?
Então o primeiro problema é demanda, e não preço. Invista parte do tempo em divulgação e em relacionamento com clientes, e reduza custos enquanto isso. Para sobreviver à fase de poucos clientes, uma reserva de emergência é essencial.
Fontes e para saber mais
- Sebrae: materiais sobre formação de preço e gestão para pequenos negócios.
- Portal do Empreendedor: valores atualizados do DAS e regras do MEI.
Valores ilustrativos. Faça a conta com os seus números.
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