Durigan no FMI: Compromisso Fiscal e Alerta sobre Energia
No FMI, Durigan reforça compromisso fiscal e alerta para choque energético global
Publicado em 16 de abril de 2026
Durante as reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou o compromisso inabalável do Brasil com a responsabilidade fiscal e a estabilidade de preços. Em um momento de incerteza global, o ministro apresentou uma defesa da trajetória econômica brasileira, ao mesmo tempo em que alertou para os riscos de estagflação decorrentes da guerra no Oriente Médio.
O Desafio da Dívida: 100% do PIB no Horizonte?
A fala de Durigan ocorre em um contexto de tensão após o FMI projetar que a dívida pública brasileira pode atingir 100% do PIB já no primeiro ano do próximo governo.
O ministro minimizou o alarmismo das projeções, explicando que a metodologia do fundo gera distorções ao contabilizar títulos do Tesouro detidos pelo Banco Central que não servem para refinanciamento da dívida. Durigan assegurou que o governo mantém a determinação de promover uma consolidação fiscal compatível com o crescimento inclusivo.
Metas Fiscais e a Estabilização até 2030
Para contrabalançar as preocupações, o ministro reafirmou as metas estabelecidas no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027:
- Superávit Primário em 2026: Projeção de 0,25% do PIB.
- Expansão Gradual: Meta de 0,50% no próximo ano, chegando a 1,25% em 2029.
- Estabilização da Dívida: A previsão é que a dívida pública brasileira seja estabilizada até o ano de 2030.
Guerra no Oriente Médio e o Risco de Estagflação Global
Durigan alertou o Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC) que o conflito entre Israel, EUA e Irã eclodiu em um "momento delicado" para a estabilização global. Segundo o ministro, a alta nos preços de energia pode corroer a renda das populações e dificultar o processo de desinflação mundial.
Caso o conflito se prolongue, os efeitos secundários podem atingir cadeias de suprimentos vitais, como fertilizantes e alimentos, além de gerar uma crise de refugiados em larga escala. "A combinação de crescimento fraco e pressões inflacionárias suscita preocupações quanto a dinâmicas de estagflação mundo afora", reforçou o ministro brasileiro.
A Resiliência Brasileira frente aos Choques Externos
Apesar do cenário externo turbulento, Durigan afirmou que o Brasil está em uma "posição forte" para enfrentar choques nos preços de energia.
- Matriz Limpa: O investimento em fontes renováveis e biocombustíveis garante uma matriz energética robusta e resiliente.
- Superávit Comercial: A alta internacional do petróleo tende a ampliar o superávit brasileiro; em 2025, o saldo líquido positivo do setor foi próximo a US$ 32 bilhões.
- Flexibilização Monetária: A inflação convergindo para a meta tem permitido ao Banco Central iniciar um ciclo de flexibilização da política monetária.
O ministro concluiu defendendo que a política fiscal deve continuar sendo utilizada de forma responsável como ferramenta para apoiar a estabilidade macroeconômica e promover a justiça social.
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