Investimentos

Imposto de Renda sobre Investimentos: Como Declarar CDB, Tesouro e FII

Vista de cima de formulários de imposto de renda, calculadora e moedas sobre mesa verde, representando a declaração de CDB, Tesouro Direto e FIIs

Quem investe em CDB, Tesouro Direto ou fundos imobiliários costuma ter duas dúvidas: quanto de imposto vai ser descontado do rendimento, e onde cada investimento entra na declaração de Imposto de Renda. As duas coisas são diferentes. O imposto cobrado no investimento é o que reduz o seu lucro. A declaração é a prestação de contas à Receita. Entender a diferença evita susto e malha fina.

Um aviso importante: as regras tributárias mudam por lei e por norma da Receita. O que está aqui é o funcionamento geral. Confira o que vale para o ano da sua declaração no site da Receita Federal.

Parte 1: quanto de imposto você paga no rendimento

CDB, Tesouro Direto e outros títulos de renda fixa: tabela regressiva

O imposto de renda incide só sobre o rendimento, nunca sobre o valor investido, e é retido na fonte (o banco ou a corretora desconta e repassa à Receita). A alíquota cai quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado:

Tempo de aplicaçãoAlíquota sobre o rendimento
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

Exemplo ilustrativo: R$ 10.000 aplicados por 2 anos e meio (mais de 720 dias) rendem R$ 2.500 brutos. O imposto é 15% sobre os R$ 2.500, ou seja, R$ 375, e o rendimento líquido é de R$ 2.125. Se resgatasse com 150 dias, a alíquota seria de 22,5% sobre o rendimento daquele período mais curto.

Em resgates com menos de 30 dias, soma-se ainda o IOF, como explicamos em o que é IOF e quando é cobrado.

Investimentos isentos para pessoa física

A isenção explica por que uma LCI com percentual menor do CDI pode render mais, depois do imposto, do que um CDB com percentual maior. Para comparar, sempre calcule o rendimento líquido. Veja o que é CDI.

Tesouro Direto: além do imposto, a taxa de custódia

Além do imposto de renda regressivo, o Tesouro Direto tem a taxa de custódia da B3, de cerca de 0,20% ao ano sobre o valor investido, com isenção para quem tem até determinado valor em Tesouro Selic. Confira a regra atual no site do Tesouro Direto. Os detalhes dos títulos estão no guia do Tesouro Direto.

Fundos imobiliários (FII)

Veja os detalhes do produto em fundos imobiliários: o que são e vale a pena.

Parte 2: onde declarar cada investimento

Primeiro passo: pegue o informe de rendimentos

Bancos e corretoras são obrigados a fornecer, todo ano, o informe de rendimentos. Ele costuma ficar disponível na área logada a partir de fevereiro. Os dois dados principais são o saldo em 31/12 e os rendimentos do ano. Você não precisa calcular nada, só transcrever com atenção.

CDB, Tesouro Direto e outros de renda fixa

Fundos imobiliários

Os nomes de campos e códigos podem mudar de um ano para outro no programa da Receita. Use sempre o informe como guia e, em caso de dúvida, consulte as instruções do programa do ano.

Preciso declarar?

A obrigatoriedade depende de critérios definidos todo ano pela Receita, como renda anual tributável, valor de rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte, e total de bens e direitos. Muitos investidores atingem algum desses limites sem perceber. Consulte as regras do ano na Receita Federal. Mesmo quem não é obrigado pode declarar para organizar o patrimônio.

Erros comuns que levam à malha fina

Como se organizar o ano inteiro

  1. Guarde, em uma pasta única, o informe de rendimentos de cada instituição assim que ele sair.
  2. Registre cada aporte e resgate com data e valor (planilha ou aplicativo).
  3. Em investimentos de venda frequente, como FIIs, anote o preço médio e controle o DARF mensal.
  4. Reserve um dia em fevereiro ou março para conferir tudo antes de abrir o programa.

Um aplicativo que mantém o histórico de aportes organizado ao longo do ano facilita a consulta na hora de declarar. O mesmo vale para uma planilha de controle financeiro bem mantida.

Perguntas frequentes

O imposto é cobrado no aporte ou no resgate?

No resgate, e só sobre o rendimento. Em alguns produtos, como alguns fundos, há o chamado come-cotas, cobrado periodicamente. Leia o regulamento do produto.

Vale a pena esperar para resgatar e pagar menos imposto?

Pode valer, se você não precisa do dinheiro. A alíquota cai com o tempo, mas a decisão deve levar em conta a liquidez e o objetivo, não só o imposto. Veja liquidez em investimentos.

Preciso de contador?

Para investimentos simples, a maioria consegue declarar sozinha com os informes. Quem vende ações ou FIIs com frequência, tem renda de aluguel ou investimentos no exterior costuma se beneficiar de ajuda profissional.

Conteúdo educativo. Não substitui orientação de contador.

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