Tesouro Direto: Guia Completo para Quem Está Começando
O Tesouro Direto é um programa do governo federal que permite a qualquer pessoa emprestar dinheiro ao Tesouro Nacional comprando títulos públicos. Em troca, o governo paga juros até a data de vencimento. É considerado o investimento de menor risco de crédito do Brasil, porque o devedor é o próprio governo federal, e é muito usado como porta de entrada para quem nunca investiu. Este guia explica cada título, como o preço oscila, o que custa e como comprar o primeiro.
Como funciona
Quando você compra um título, está emprestando dinheiro ao governo. Ele se compromete a devolver o valor com juros, de uma das três formas: acompanhando a taxa Selic, com uma taxa fixa definida na compra, ou acompanhando a inflação mais uma taxa. Dá para começar com cerca de R$ 30 (o mínimo costuma ser uma fração do preço do título), e a compra e a venda são feitas por uma corretora ou banco, em dias úteis.
Os tipos de título
| Título | Como rende | Para quem faz sentido |
|---|---|---|
| Tesouro Selic (LFT) | Acompanha a taxa Selic | Reserva de emergência e objetivos de curto prazo |
| Tesouro Prefixado (LTN e NTN-F) | Taxa fixa conhecida na compra (a NTN-F paga juros semestrais) | Quem quer travar uma taxa e pode segurar até o vencimento |
| Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal e NTN-B) | Inflação (IPCA) mais uma taxa fixa | Objetivos de longo prazo; protege o poder de compra |
| Tesouro Renda+ | IPCA mais taxa, com pagamento de renda mensal por um período, a partir de uma data escolhida | Aposentadoria e renda complementar |
| Tesouro Educa+ | IPCA mais taxa, com renda mensal por 5 anos, para custear estudos | Educação dos filhos |
Os dois últimos são títulos pensados para objetivos específicos. As regras de cada um mudam, então confira os detalhes no site do Tesouro Direto antes de comprar.
Marcação a mercado: por que o preço oscila
Os títulos prefixados e IPCA+ têm o preço atualizado todos os dias, de acordo com o que o mercado espera para os juros. Se os juros futuros sobem, o preço dos títulos que você comprou cai. Se os juros caem, o preço sobe. Isso só afeta quem vende antes do vencimento. Exemplo ilustrativo: você comprou um título IPCA+ de longo prazo e, no mês seguinte, os juros do mercado sobem. Se precisar vender ali, pode receber menos do que investiu. Mas quem segura até o vencimento recebe exatamente a taxa contratada.
O Tesouro Selic quase não oscila, e por isso é o mais indicado para quem pode precisar do dinheiro a qualquer momento. Veja liquidez em investimentos para entender esse conceito.
Quanto rende: um exemplo com número
Suponha R$ 1.000 em um título prefixado a 12% ao ano, mantido por 3 anos até o vencimento (valores hipotéticos):
- Valor bruto no vencimento: R$ 1.000 × 1,12³ = R$ 1.404,93.
- Rendimento bruto: R$ 404,93.
- Imposto de renda (15%, por prazo acima de 720 dias): R$ 60,74.
- Rendimento líquido: R$ 344,19, antes da taxa de custódia.
A taxa de custódia (veja abaixo) reduz um pouco esse resultado. O imposto segue a tabela regressiva, explicada em imposto de renda sobre investimentos.
Custos e impostos
- Taxa de custódia da B3: cerca de 0,20% ao ano sobre o valor investido, com isenção para quem tem até determinado valor em Tesouro Selic (hoje R$ 10 mil, mas confira a regra atual).
- Taxa da corretora: muitas zeraram para o Tesouro Direto. Confira antes de abrir a conta.
- Imposto de renda: tabela regressiva de 22,5% (até 180 dias) a 15% (acima de 720 dias), só sobre o rendimento.
- IOF: em resgates com menos de 30 dias. Veja o que é IOF.
Como comprar, passo a passo
- Escolha uma instituição habilitada (corretora ou banco). Compare taxas, aplicativo e atendimento.
- Cadastre-se no Tesouro Direto pela própria instituição (o processo é guiado e leva poucos minutos).
- Transfira o dinheiro para a conta da corretora.
- Escolha o título de acordo com o objetivo e o prazo.
- Informe o valor e confirme a compra, no horário de funcionamento do programa.
- Acompanhe pela área do investidor, pelo extrato da B3 ou pelo app da corretora.
Para vender antes do vencimento, você pede a venda na mesma plataforma, e o Tesouro recompra o título pelo preço do dia. O dinheiro costuma cair no dia útil seguinte.
Qual título para cada objetivo
| Objetivo | Prazo | Título mais usado |
|---|---|---|
| Reserva de emergência | A qualquer momento | Tesouro Selic |
| Viagem ou compra em 1 a 3 anos | Curto e médio | Tesouro Selic ou prefixado com vencimento próximo da data |
| Entrada de um imóvel em 5 anos | Médio | IPCA+ ou prefixado com vencimento compatível |
| Aposentadoria | Longo | IPCA+ ou Renda+ |
| Educação dos filhos | Longo | Educa+ ou IPCA+ |
Tesouro Direto ou CDB?
Não são concorrentes: são complementares. O CDB pode render mais quando o percentual do CDI é bom e o banco é sólido, e tem a garantia do FGC até o limite. O Tesouro tem a segurança máxima de crédito e boas opções de longo prazo, como IPCA+. Compare em poupança, CDB ou Tesouro e veja o guia de CDB.
Erros comuns
- Comprar título longo (prefixado ou IPCA+) e precisar vender antes do prazo, com prejuízo.
- Usar o Tesouro IPCA+ como reserva de emergência.
- Ignorar a taxa de custódia e o imposto na comparação.
- Esperar "o melhor momento" e adiar o primeiro aporte.
- Entrar sem montar a reserva e quitar as dívidas caras. Veja como começar a investir do zero.
Perguntas frequentes
O Tesouro Direto pode "quebrar"?
O risco de o governo federal não pagar uma dívida em reais é considerado o menor do país. O que existe é o risco de mercado: o preço pode oscilar para quem vende antes do vencimento.
É melhor que a poupança?
Na maior parte dos cenários, o Tesouro Selic rende mais que a poupança, com liquidez parecida e segurança alta. Compare sempre com as taxas do dia.
Posso perder dinheiro no Tesouro Selic?
É raro, por causa da baixa oscilação, mas pode haver resultado negativo em resgates muito curtos por causa de custos e imposto. Para esse título, o ideal é manter por prazos de pelo menos algumas semanas.
Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento personalizada.
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